Conceição Nascimento
A pouco mais de sete meses das eleições municipais, Fundão segue com diversas lideranças sendo colocadas como pré-candidatos a chefe do Executivo. Administração segue com prefeito interino, após afastamento do eleito Marcos Moraes
 Enquanto a disputa majoritária na Serra está polarizada entre dois candidatos, Audifax Barcelos (PSB) e Sérgio Vidigal (PDT), na cidade vizinha de Fundão, os eleitores acompanharão um debate com diversos personagens cotados para ocupar a prefeitura, hoje conduzida interinamente por Anderson Gorza (PCdoB) eleito vereador, presidente da Câmara, que assumiu a função de prefeito após o afastamento de Marcos Moraes (PDT) e de seu vice, Ademir de Almeida (PSC), acusados de improbidade administrativa.
Com o clima de instabilidade política verificado na cidade, as lideranças começaram a se articular visando a disputa majoritária. Assim, estão colocados os ex-prefeitos Maria Dulce (PMDB) e Gilmar Borges (PSD), o prefeito interino Anderson Gorza, o vereador Adriano Ramos (PMN), Stefano Henrique Broseghini (PDT) e o atual presidente da Câmara Claydson Pimentel (PSB). Todos foram ouvidos pela reportagem na edição 953 do Tempo Novo.
Também se colocam como pré-candidatos os vereadores Carlos Augusto Souto Pimentel (PRB), Carlos Augusto Tófoli, o Proe (PMN) e João Manoel Miranda Nunes (DEM).
Segundo o presidente municipal do DEM no município, João Manoel Nunes, o seu nome é consenso no partido quando o assunto é eleição majoritária. Ele avalia como de total descrédito a atual conjuntura política.
“Não existe controle administrativo ou fiscal. Exemplo disso são recursos dos royalties, que não estão sendo utilizados para investimentos no município. É preciso iniciar uma nova administração na cidade, que venha a investir em áreas importantes como saúde e educação”, disse Nunes, acrescentando que seu nome tem sido lembrado por representantes de diversos segmentos organizados da sociedade. “Estão pedindo que eu seja candidato e o Dem, na figura do presidente estadual, Rodney Miranda, já me deu aval para disputar. Agora, estamos em fase de conversas com outras legendas e lideranças”, detalhou o democrata.
O vereador Carlos Augusto Souto Pimentel disse que está sob um dilema familiar, já que tem seu nome cotado para disputar a prefeitura e sua esposa, Rita Pimentel (PMDB), também tem sido sondada por lideranças para representar a legenda na corrida rumo à prefeitura. “O que defendemos é que o próximo prefeito invista no distrito de Praia Grande e bairros adjacentes. O município de Fundão tem boa renda per capita, que está sendo mal empregada pela atual administração. Coloco meu nome à disposição no sentido de fortalecer o debate nestas eleições, mas posso compor com minha esposa Rita Pimentel. Também não podemos descartar o diálogo com a ex-prefeita Maria Dulce, que fez uma boa administração”, avaliou Pimentel.
O também vereador Stéfano Henrique Broseghini pode ser a aposta do PDT na disputa pela prefeitura daquela cidade, já que o prefeito afastado, filiado àquela legenda, não deverá disputar a reeleição. Sobre a situação política na cidade, Broseghini opina. “Não tem como avaliar, a desorganização está generalizada. Sou o pré-candidato do PDT e buscaremos outros partidos para promover alianças”, destacou.
Sobre o fato de ter atuado como líder do prefeito afastado, Marcos Moraes, na Câmara, lembrou que saiu daquela função por iniciativa própria. “A população conhece a minha conduta e minha história. O povo vai saber escolher o candidato que dê um choque de moralidade na cidade e que venha a planejar juntamente com a população um Fundão melhor. Quero uma cidade administrada com participação popular”, disse Stéfano.
Outro vereador, Carlos Augusto Tófoli, Proe (PMN), comentou que a situação política do município requer muita atenção e cuidado por parte das lideranças políticas, que deverão se unir. “Um grande número de candidatos não trará benefícios para a cidade. Fundão precisa de união; e de políticos que não utilizem a política em benefício próprio. Quando o chefe de Executivo age apenas pensando em si, quem paga caro é a população”, ponderou.
Sobre a disputa majoritária, disse que o PMN já tem candidato a prefeito. “Estou no quinto mandato de vereador e prego a união para que o município saia da dificuldade. Vamos conversar para viabilizar a candidatura própria do nosso partido”, finalizou.
Adiado julgamento da apelação criminal do “Caso Cassaro”
O julgamento da apelação criminal dos condenados pela morte do ex-prefeito Anastácio Cassaro, de São Gabriel da Palha, foi adiado pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Na sessão de quarta-feira (15), logo na primeira preliminar, após a leitura do relatório do desembargador-substituto Jorge Henrique Valle dos Santos, relator do processo, o desembargador Ney Batista Coutinho pediu vista para melhor conhecer da petição e proferir seu voto. A próxima sessão da 1ª Câmara Criminal será realizada somente no dia 29 de fevereiro, devido ao feriado do Carnaval. Na ocasião, o desembargador Ney Batista poderá ler seu voto de vista ou pedir novo prazo para proferi-lo. O chamado “Caso Cassaro” é um dos crimes mais rumorosos da história recente do Judiciário capixaba.
Política, cultura e atitute
A eleição dos vereadores. Do parlamento municipal, legislativo e fiscalizador do funcionamento das cidades. Por causa da eleição simultânea com o prefeito, se tornou eleição de segunda categoria. Nem sempre foi assim. Não deveria ser.
As câmaras legislativas são anteriores a adoção do prefeito, como executivo das coisas da província, o que hoje é a cidade. A casa parlamentar é, ou deveria ser mais importante que as prefeituras. Tanto é verdade que é ela quem dá posse ao prefeito e pode também cassá-lo.
Composta das representações oriundas dos extratos sociais e geográficos da cidade é o poder por excelência e objetivo, garantidor da relação democrática. Relação entre os poderes, e desses com a sociedade. A câmara é o mais popular, transparente e ocupado poder com os interesses dos cidadãos em sua cidade. A câmara e seus vereadores são facilitadores do acesso do povo à coisa pública. O mais curto caminho do público ao que é público.
Então qual a razão do divórcio que reina entre os seres comuns e a casa da representação política? Por que o distanciamento das opiniões ouvidas nas ruas e praças e aquela expressada no parlatório das câmaras municipais? Por que essa Casagrande & Senzala contemporânea? Onde está o problema (ou seu plural infinito)?
Enumeremos, pois alguns desses problemas, julgando tratar-se dos mais cruciais, que interferem e estabelecem tamanha animosidade da base comunitária com seu poder local.
O poder é legislativo e é constitucional legislar sobre as causas do funcionamento da cidade, para zelar, garantir e promover a mais completa cidadania. Mas legisla como? Com quem? Pra quem? Quando o cidadão é avisado da legislação, antes, durante, depois? Não há sinalização qualquer, nenhuma comunicação ou sintonia entre a essencial tarefa legislativa e seu, entre aspas, beneficiado. Sem sintonia, sem comunicação, não rola a química ou sentimento.
A segunda e mais fecunda tarefa do vereador (e da câmara) é a fiscalização, que eles próprios confundem como sendo sobre os atos do prefeito. A fiscalização é sobre o pleno funcionamento da cidade, incluindo aí os atos de sua (e suas) excelência(s). É preciso saber de tudo que acontece dentro dos limites do território municipal. Da oferta de bens e serviços públicos e do mercado, seus preços, qualidade e quantidade, até os índices e taxas de natalidade, freqüência escolar, níveis de alfabetização, renda média e salarial, faixas etárias, composição familiar e toda complexidade urbana. Novo descompasso funcional, dentro e fora.
Pesa ainda sobre o mandato do nobre edil, a tarefa impar de ser o ente político, o vereador, o escolhido (eleito) pra representar a coletividade. Deve ser (e parecer ser) o “tipo ideal”, o exemplar. Que nem filho mais velho, líder religioso ou gerente de banco. Alguém confiável e acima das suspeitas. Aqui reside o coração que pulsa o problema. Neste quesito é a exceção (e não a regra) quem faz sucesso. Somente um ou outro se notabiliza gerando alguma diferença.
Há um infame movimento disseminado entre os vereadores, que insiste em negar a boa prática política, parlamentar e legislativa. E que burramente afasta o cidadão deste convívio, impondo-lhe tão somente a obrigação do voto que conduz ou reconduz alguém à vereança.
Três capitais pecados entre tantos outros. Indico os partidos políticos como os mais responsáveis. Eles elaboram as listas apresentadas à Justiça Eleitoral - também responsável, e aos eleitores, último dos responsáveis. Vem aí agora a Lei do “Ficha Limpa”. Um alento, um filtro a mais. E se o tema é palpitante, dá pra gente voltar nele outra vez. Então, até breve.
Primeiro escalão da Serra pode sofrer novas mudanças
Conceição Nascimento
Os boatos dão conta de que o ex-secretário João Felício Scárdua assumiria a Coordenadoria de Governo. Assessoria do prefeito Sérgio Vidigal não confirma mudanças
 A proximidade das eleições leva a alteração de nomes nos cargos de confiança da Prefeitura da Serra. Apesar de não serem confirmadas oficialmente, especulações acerca de novas mudanças no secretariado do prefeito Sérgio Vidigal (PDT) ganharam força esta semana. Segundo comentários, João Felício Scárdua estaria acertando os detalhes para assumir a Coordenadoria de Governo (CG) da prefeitura, substituindo Mary Lucy Gomes Souza.
A mudança seria oportuna neste ano eleitoral, uma vez que o prefeito deve concorrer à reeleição e precisará dispor de tempo para se dedicar à campanha. Scárdua atuaria no sentido de ajustar as rédeas e conduzir ações da administração. Também pode assumir decisões importantes em caso de afastamento do chefe do Poder Executivo com o avanço do calendário eleitoral.
Scárdua atuou como secretário Estadual de Saúde, presidente do Banestes e do Sebrae e, recentemente, estava na Direção Geral do Detran. Na Serra, foi secretário de Finanças e coordenador de Governo. A assessoria do prefeito não confirmou as possíveis mudanças no primeiro escalão do governo Sérgio Vidigal.
“Não fui comunicado”
Apesar dos fortes rumores de que haveria mudanças em cargos de chefia da Secretaria Municipal de Saúde (Sesa), o secretário Silvani Alves negou qualquer alteração até o presente momento e afirmou que nem mesmo foi comunicado pelo prefeito sobre qualquer mudança no interior daquela secretaria.
Os esperados sinais de uma possível aproximação entre o PDT e o PMDB começam a surgir. O fiscal de Postura da Serra, João Manoel Joaquim Xavier, foi indicado por Luiz Carlos Moreira para assumir o cargo de chefe de Fiscalização de Obras, na Secretaria de Desenvolvimento Urbano – Sedur. João Manoel é filiado ao PMDB, mesmo partido de Moreira.
Há informações também de que um médico, amigo de Luiz Carlos Moreira, teria assumido a chefia de uma maternidade.
Ministro dos Transportes autoriza obras na BR-101
Intervenções para solucionar os gargalos na BR-101 foram autorizadas pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos ao prefeito Sérgio Vidigal na última terça-feira, 14, em Brasília. As obras que não têm data definida para começar prometem melhorar o trafego viário diminuindo os riscos de vítimas fatais. Para isto, foi sugerida pela equipe técnica da prefeitura a implantação de um semáforo no km 262,1 na altura do Posto BKR. O equipamento facilitará a conexão direta da Avenida Civit com a BR-101, possibilitando um escoamento do grande fluxo de veículos. Estatísticas apontam que diariamente 50 mil veículos trafegam na via.
Amo discute calendário de ações
Representantes da Assembleia Municipal do Orçamento (AMO) se reuniram no último dia 10 para discutir o calendário de ações daquela entidade para 2012. Segundo o coordenador da AMO, Jacinto Sezine, o que ficou definido em princípio foi a realização de um seminário cujo objetivo é discutir a situação socioeconômica da Serra. “Futuramente, quando estivermos discutindo as prioridades do Orçamento Participativo (OP) estas questões deverão ser consideradas. É importante capacitar a população da cidade para que participem dos debates envolvendo o OP com mais elementos que serão necessários para uma escolha consciente”, lembrou Sezine. O coordenador acrescentou que, após o seminário, será divulgada a agenda de discussões do Orçamento Participativo.
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